Arriba Arriba!

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De fato, cada máscara é uma surpresa. E a previsão “os seus problemas vão chegar” se deu nos últimos minutos do segundo tempo. A cereja do bolo. A revelação da intimidade e sobre a intimidade. E logo um desejo de justificar-se, aquela vontade de dizer “não sou bem assim” ou “é porque…”ou “estava nervosa” ou ou ou… qualquer coisa que pouco importa, porque aquela voz que contem toda a humanidade e sentimento, atravessa a dor, a mente, o ego e diz “é isso mesmo”. É isso. Não há nada a fazer. É sobre um não-fazer-que-é-ativo.
(Larissa)

Respiro…

Semana após a oficina, agora nos concentramos na sequência do projeto, direcionamos nossa energia na tarefa de compartilhar aquilo que assimilamos ate então em forma de contrapartida. Acertamos nossos corações,nossos ponteiros, nossos olhares e nossa percepção…
Agora mais do que nunca temos que ser generosos, para conseguir dividir e abrir o que para nos foi um diamante.

Somos nosotros mismos la puerta y también los guardianes que nos prohiben la entrada.
Alejandro Jodorowisky

( Karina)

Aceitar

Um dia trabalhando no projeto novo, reescrevendo, relendo, revisando. Recebemos os vídeos de nossas apresentações na Soirée, e creio que aprendi a aceitar mais do que criticar. Assisti à minha apresentação umas tantas vezes e reconheço aquilo que me é característico não como um problema que devo solucionar (ou me livrar), mas algo para aceitar como meu e que eu posso amar (e no que posso investir). E se o processo tem me ensinado algo, é que, citando RuPaul (musa): “Se você não consegue amar você mesmo, como você vai conseguir amar outra pessoa?”. Coincidentemente, minha 6 Experiência é aceitar. Fazendo as pazes comigo.

(Bruno)

Entrada dos gladiadores

soirée

Então, a Soirée aberta ao público. Uma sala lotada de palhaços – inclusive gente que fez o workshop com quem o originou, Mr. Pochinko himself. Obviamente, minha insegurança quanto à máscara que iria apresentar foi motivo de cutucões de Sue (Ah! Então você vai fazer a máscara mais Bruno, é isso?). Nos últimos instantes uma ideia pra outra máscara, que estava querendo uma nova chance, e a ajuda da Elisa na confecção do meu adereço (e o espeto vermelho que a Karina tinha na mala, sabe-se lá por quê). Na hora, a flutuação entre várias máscaras e a ajudinha do público (obrigado, palhaços). Há sempre questões que identifico em mim e que posso melhorar me abrir para descobrir mais – mas talvez seja a hora de parar de focar no negativo (I’m fucking tired of that shit). Ao fim, a despedida lacrimejante (e em vários idiomas) de quem amamos nessas cinco semanas – longas e ao mesmo tempo curtas. Por muitos outros 180 ya-ta-tara-tara-ta-taras…

(Bruno)

Desafio ao infinito…8 x Fa…

“Um dia uma pessoa conta para aldeia uma estória da sua vida e as pessoas sentem pena e compaixão dela, no outro dia essa mesma pessoa conta a sua estória e todos riem e se divertem com ela, no terceiro ela reconta e todos vão embora e deixam ela sozinha, porque ela ama mais a sua estória do que qualquer outra coisa.”

Sue Morrison

Entrei em cena hoje com alguns desafios, primeiro escolhi a máscara que foi mais desafiadora para mim, a qual demorei mais tempo para assimilar, foi ela, a danada da cinco – abaixo-abaixo quem abriu hoje novos caminhos.
Com ela me coloquei em desafio, que tem relação com a estória que Sue contou em um dia de classe e que inicia esse post. Contar uma estória sem se apaixonar mais por ela do que por qualquer outra coisa. Entrar dois dias seguidos em cena para experimentar a máscara, e conseguir realizar sem se perder em sua própria estória, realizar o roteiro, dar  vida à ideia e desfrutar disso junto com a plateia.

– Que máscara você vai experimentar na sua apresentação, Karina (pergunta Sue Morrison). Cinco abaixo abaixo, respondo eu, com a certeza do verbo não estou totalmente segura. Ela me olha e diz (dois pontos) – Qual e o sentimento mais forte que você encontrou nessa máscara (pergunta). Ódio, eu respondo.
– Bom, então se conecte com o público assim que entrar, não entre como uma louca sem olhar para ninguém, pois essa máscara é muito forte, faça a conexão com o público, eu não quero ter que brigar com você outra vez. -Não se preocupe, Sue, respondi, eu tenho uma ideia! Ela sorriu com aquela cara de hum…vamos ver!!!

A única segurança que eu tinha era de que estava fazendo a escolha certa… Experimentar a 5 Abaixo Abaixo.

– 8 fafafafafafafafa, foi um  grito de guerra, a experiência foi linda, emocionante, senti muitas máscaras percorrendo pelo meu corpo e finalmente nos apaixonamos todos pelas nossas estórias…

Gratidão infinita, Sue.
(Karina)

Pataca = Riqueza

DSC_0305Hoje foi o último dia de um início de descobertas… Terminamos o curso e a sensação que tenho é de que agora começamos uma nova caminhada, uma nova perspectiva para o palhaço, e novas perspectivas para a vida, é impossível definir o que eh o Palhaço através da máscara, é realmente algo sagrado para mim, porém um sagrado que contém a leveza da sabedoria, e não um sagrado intocável. O cuidado é com nós mesmos, sagrada é a nossa verdade, as nossas relações, é a verdade do outro e as suas relações. A máscara 6 Acima-Acima me revelou aquilo que eu precisava sentir, me presenteou com sua graça, ela é exatamente aquilo que eu estava precisando nesse momento. Fiz um último “turn” com o nariz vermelho e finalmente me senti inteira, com a máscara 6 Acima-Acima pulsando em cada célula do meu corpo. Levei uma ideia de roteiro, e ela foi acolhida pela máscara que a colocou em cena com a sua maestria, a máscara escolhe o melhor caminho. Foi um exercício, para mim, realizado através do respeito e da confiança em mim e na máscara.

Nossa história recomeça, gratidão a todos que compartilharam dessas descobertas….Tatuo de caneta nos braços as direções das minhas máscaras…Pois amanhã teremos a apresentação para o público daquilo que descobrimos nessa caminhada…

1 Norte – Desespero / Esperteza

2 Sul – Poder / Fragilidade

3 Leste – Energia sexual / Paz interior

4 Oeste – Vazio / Adrenalina

5 Abaixo-Abaixo –  Ódio / Amor

6 Acima- Acima –  Exaustão / Prontidão

….Boa viagem….

(Karina)

5 Abaixo Abaixo….Infinito Fa…

Se fosse possível desenhar as relações com as máscaras, tenho a sensação de ir descolando as máscaras da minha cara uma a uma e passando a olhar para elas. Algumas máscaras descolam com mais facilidade do nosso rosto, outras estão tão misturadas com aquilo que somos que quando ela é revelada fica mais difícil de tirá-la. Hoje depois de experimentar a máscara 5 abaixo- abaixo senti como se tivesse descolado apenas metade da máscara da cara, foi um trabalho muito difícil olhar para essa máscara, identificá-la e respeitá-la, passei o dia com essa sensação de que a máscara estava pendurada no meu rosto. Ao mesmo tempo que sinto uma dificuldade clara em aceitar a máscara, também sinto um apego a ela, uma sensação de ficar sem chão, um medo de ultrapassar por ela e do que irei encontrar. Uma coisa maravilhosa que tem acontecido nesse processo é que alguns companheiros de trabalho tem o dom natural de olhar você além da máscara que você está vivendo, e isso tem sido essencial para as minhas descobertas, às vezes é apenas um sopro que você precisa para atravessar o caminho, mas é preciso ser um sopro de muito amor e compreensão. Gratidão parceiros de coração, caminhamos juntos!!!

(Karina)

Nem tudo são flores

Dia de turn com a máscara 5 abaixo-abaixo. Um dia pesado. A máscara revela aquilo que precisamos e não aquilo que queremos. E se o que precisamos é enfrentar algo dolorido, isso é o que há de mais bonito. Acolher a dor. Não precisar mudar para ser uma pessoa melhor. Ser uma pessoa. Ser. Servir ao momento, fluir com o momento. E assumir que, às vezes, não somos amor. Um viva à dor!

(Larissa)

Autoindulgência

À medida que colecionamos novas máscaras e direções de nós mesmos, sinto que cada uma que passou se torna ainda mais específica. Uma nova máscara afeta todas as que já foram, esclarecendo o caminho que cada uma trilha em mim. Um processo de autoconhecimento e autoindulgência que, agora vejo mais claramente, realmente permite que eu desenvolva uma mitologia pessoal. E isso é incrível. A máscara que usamos hoje (5 Abaixo-abaixo) me trouxe algo que já reconheço em mim e no meu palhaço – mas de uma forma diferente. Coisas que eu fazia pela forma, para ser engraçado, foram finalmente sentidas e vividas por mim. Espero poder continuar com isso e não perder no fuso horário.

(Bruno)